Você vai se arrepender em 5 minutos!

Você costuma explodir e "falar umas verdades" no calor da emoção? Descubra por que isso gera arrependimento imediato. Entenda como cada temperamento reage à raiva e aprenda a usar a Pausa Tática para não perder o controle

3/15/20264 min ler

Todos nós já estivemos lá. O sangue ferve, a respiração fica curta e a mente entra em modo de combate. Alguém comete um erro primário no trabalho, ou um combinado importante é quebrado dentro de casa. Nesse exato instante de tempo, surge uma vontade incontrolável de "falar umas verdades", de colocar a pessoa no lugar dela e despejar toda a nossa frustração. Parece o certo a se fazer, não é? Afinal, dizem por aí que "é melhor colocar para fora do que guardar".

Mas e se eu te disser que essa sensação de alívio imediato ao despejar algumas verdades é a maior armadilha da sua mente?

O sequestro da sua Dimensão Racional

Quando a raiva atinge o seu pico, o nosso cérebro passa por um fenômeno neurológico conhecido como "sequestro da amígdala". Na prática, a sua Dimensão Racional — aquela responsável pela lógica, pela ponderação e pela visão de longo prazo — é temporariamente desligada do painel de controle. Quem assume a direção é a parte mais primitiva do seu cérebro, operando puramente na Dimensão Emocional de sobrevivência.

Tentar resolver um conflito de cabeça quente é exatamente como tentar abrir a tampa do reservatório de água de um motor que está fervendo. A pressão acumulada vai estourar em você e queimar quem estiver por perto (inclusive com quem não tenha nada a ver com a história). A única atitude inteligente, mecânica e humana, é dar um passo para trás e esperar o sistema esfriar.

A matemática do arrependimento

A ciência comportamental destrói completamente o mito de que explodir "faz bem para desabafar". Estudos sobre o efeito da ação (Action-Effect) mostram que o arrependimento gerado por uma atitude impulsiva é infinitamente mais doloroso e duradouro do que o incômodo de ter ficado calado por alguns minutos.

Os dados são duros: mais de 50% das pessoas se arrependem profundamente no exato minuto seguinte após uma explosão de raiva. Além disso, quase metade sente a necessidade imediata (e muitas vezes humilhante) de pedir desculpas para tentar consertar o estrago. Isso sem falar nos outros quase 50% que não se arrependem de forma imediata, mas grande parte destes se arrepende com o tempo.

Ou seja, você gasta uma energia vital imensa para destruir uma ponte de confiança que levará meses para ser reconstruída. A ilusão de que você está sendo "autêntico e verdadeiro" cai por terra quando você percebe que, na verdade, foi apenas um refém do próprio instinto.

O filtro dos Temperamentos na hora da explosão

Essa perda de controle, no entanto, não soa igual para todos. O nosso temperamento dita a arma que escolhemos na hora da raiva cega:

  • O Colérico sente o impulso de tratorar. A sua raiva é impositiva, focada em destruir o obstáculo (ou o argumento do outro) pela força bruta da sua autoridade e pelo volume de voz.

  • O Melancólico não precisa gritar, mas a sua raiva é cirúrgica. Ele usa palavras afiadas e frias, apontando falhas e defeitos com uma precisão que machuca profundamente a autoestima de quem ouve.

  • O Sanguíneo explode como fogos de artifício: faz muito barulho, gesticula, fala sem pensar e, cinco minutos depois, já esqueceu e quer agir como se nada tivesse acontecido, deixando o outro ferido e confuso.

  • O Fleumático foge do conflito o quanto pode, mas quando é pressionado além da sua capacidade de absorção, a sua explosão é um transbordamento assustador de anos de pequenas frustrações que foram engolidas em silêncio.

A Pausa Tática

Sentir raiva é humano, natural e inevitável. A emoção em si é uma reação biológica do seu corpo. No entanto, o que você faz com essa raiva é uma escolha. E é exatamente aqui que separamos aqueles que agem com sabedoria e maturidade daqueles que precisam ainda construir sua segurança emocional.

O segredo para não engrossar as estatísticas do arrependimento é dominar a "Pausa Tática". Quando sentir a temperatura subir, acione imediatamente a sua Dimensão Física: mude de ambiente. Levante-se, vá beber um copo de água, respire. Tenha a coragem de dizer: "Neste momento eu não tenho condições de continuar essa conversa. Voltamos a falar sobre isso em meia hora" (meia hora é uma questão de referência, ok? Coloque o tempo que preferir, mas não deixe de colocar).

Essa pausa de tempo quebra o sequestro neural. Ela permite que a sua Dimensão Racional volte a funcionar e que a sua Dimensão Espiritual acesse valores fundamentais, como a empatia, o perdão e a justiça.

Silenciar no momento da raiva não é fugir do problema, é ter a força de caráter para adiar a sua resposta para o momento em que você é, de fato, o dono de si mesmo. Na próxima vez que a vontade de "falar umas verdades" bater à sua porta, lembre-se: a verdadeira força não está em quem bate na mesa, mas naquele que tem o domínio absoluto sobre as próprias palavras.

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