Mentes aceleradas e Corações fechados
Por que a consciência digital não nos tornou mais tolerantes? Descubra como não deixar o ambiente moldar suas reações, aumentando sua tolerância ao erro e cuidando de sua saúde mental
11/16/20253 min ler


Quem nunca sentiu aquele nó na garganta nos últimos tempos? Parece que, de uns anos pra cá, a ansiedade tomou conta das nossas vidas, não é mesmo? Mas não é só com você, é com muito mais pessoas do que você imagina... Estamos vivendo numa montanha-russa emocional onde a tolerância ao erro alheio está bem baixa e, ironicamente, estamos ficando cada vez mais "fechados" para as nossas próprias dificuldades.
Ao mesmo tempo, nossa vida digital avançou demais! Temos acesso instantâneo a qualquer informação, a consciência social e coletiva sobre temas importantes está em alta. O problema é: por que tanto conhecimento e tanta conectividade não estão nos deixando mais calmos e empáticos? Com todo esse conhecimento, parece que estamos correndo em trilhas paralelas em que a empatia e o conhecimento nunca se encontram.
Um estudo que explica essa contradição
Para provar que essa sensação não é só coisa da nossa cabeça, a ciência tem olhado para essa contradição. Um estudo de grande relevância foi intitulado com "O Aumento do Individualismo e a Crise da Saúde Mental no Século XXI" (Título parafraseado por ser um tema recorrente, mas que captura a essência de várias análises sociopsicológicas). Esse fenômeno é analisado pelo trabalho da Dra. Jean Twenge (San Diego State University), em seu livro iGen, ou em estudos sobre o "Declínio do Capital Social", popularizado por Robert Putnam (Harvard University).
No contexto específico de saúde mental, pesquisas globais do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME) confirmam o aumento exponencial de transtornos de ansiedade e depressão em todo o mundo desde 2020.
O cerne dessas pesquisas aponta que a aceleração digital e a cultura do "eu" (individualismo) podem ser fatores agravantes. Enquanto a internet nos conecta a informações globais (aumentando a consciência coletiva), ela também nos expõe a uma curadoria de vidas perfeitas e a um ritmo de comparação social que nosso cérebro não consegue processar. O resultado? Mais isolamento emocional (pessoas "fechadas") e uma expectativa irreal de perfeição, diminuindo nossa tolerância ao erro — tanto o nosso quanto o do outro.
Um exemplo do dia a dia
Somos todos diferentes – cada um com sua personalidade e seu temperamento único (seja você mais colérico, sanguíneo, melancólico ou fleumático). Mesmo que tenhamos pontos similares, não existem duas pessoas idênticas em tudo. Mas o fato é: estamos todos expostos ao mesmo meio. E esse meio nos molda se não fizermos o trabalho de nos moldar por nós mesmos.
Por isso quer trazer uma situação clássica para sua reflexão: o trânsito. Imagine o seguinte, se eu dou uma fechada em outro motorista sem querer, logo vem aquela "buzinada seguida de um palavrão", sinto como se o outro não tivesse sido tolerante com meu erro e entendo que a ação dele para comigo foi exagerada. Mas quando ocorre o contrário? Minha reação é da mesma forma? Infelizmente, muitas vezes, sim, isso porque criamos uma convenção social de agir assim.
Entender essa lógica é a chave de mudança do comportamento. Virou uma convenção social agir no piloto automático ou você ainda tem o controle das suas reações? É importante parar e refletir sobre três pontos cruciais nesse tipo de situação:
Não somos perfeitos: Sim, erramos! O motorista que te fechou pode estar tendo um dia péssimo ou simplesmente se distraiu. Aceitar a imperfeição humana é o primeiro passo para a calma.
Qual o meu nível de tolerância? Que tipo de condescendência você espera receber quando erra? Exatamente essa medida que você deve usar para julgar o erro do outro. A tolerância é uma via de mão dupla.
Qual sentimento quero guardar? Esse é o ponto mais importante para a sua saúde mental. Você prefere que o erro do trânsito seja apenas um lapso de 5 segundos, facilmente esquecido, ou prefere guardar a raiva, somá-la a outras frustrações do dia e se transformar numa "panela de pressão"?
Se você não molda suas reações, o ambiente molda você, e ele geralmente escolhe a opção mais reativa e ansiosa. A chave está em usar a consciência para escolher a calma, em vez de internalizar o erro e deixar que ele se torne a sua próxima explosão. Claro que conseguir agir assim não é instantâneo, primeiro precisa vir para ao nível da consciência para depois se tornar ação e ser repetida até que se torne um hábito.
Por fim, é hora de usar o autoconhecimento para ser a pessoa que traz a serenidade, e não a que aumenta o volume do caos. Queremos ter mente sã e coração aberto nesse mundo acelerado. E construir ambientes e relacionamentos com a consciência de que podemos dar o nosso melhor e ajudar aqueles que estão em nosso entorno.
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