Como o temperamento inato explica o endividamento recorde dos brasileiros

Descubra como seu temperamento (Colérico, Sanguíneo, Melancólico ou Fleumático) influencia seus hábitos e o alto endividamento no Brasil. Alinhe sua personalidade com suas finanças e alcance a estabilidade.

11/23/20253 min ler

A relação com o dinheiro, mais do que controlar valores em uma conta bancária, é uma manifestação direta da nossa personalidade. Isso porque, assim como tantas outras coisas na vida, apenas fazemos e pouco refletimos a respeito. Você já notou como o planejamento financeiro, que é fácil para um amigo, pode ser um peso enorme para você? Você tem a sensação de que sempre falta dinheiro porque nunca ganhou o suficiente para pagar tudo? Isso se deve ao seu temperamento inato — a estrutura psicológica que define sua atitude frente ao risco, à disciplina e ao prazer.

Por isso que para alcançar a verdadeira estabilidade financeira, é preciso ir além das planilhas: é necessário entender a si mesmo.

O endividamento brasileiro

O contexto financeiro do Brasil torna o autoconhecimento ainda mais crucial. Pesquisas recentes da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), por meio da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), confirmam que o endividamento atinge uma parcela expressiva de famílias brasileiras, frequentemente superando a marca de 78% dos brasileiros. E o cartão de crédito é a principal modalidade dessa dívida.

Só que essa realidade de alta dependência do crédito e dificuldade em gerenciar dívidas não é aleatória, ela é impulsionada, em parte, pelas tendências comportamentais inerentes a cada temperamento. E esse comportamento pode surgir em outros aspectos como, em relacionamentos, como lidamos com frustrações, dentre diversas outras situações.

O temperamento e a contribuição para o endividamento

O endividamento nacional é um resultado macro, mas o motor dele está nas escolhas individuais, onde cada temperamento manifesta sua fraqueza. Claro que o objetivo desse texto não é responsabilizar cada pessoa pela condição atual apontada, mas gerar um alerta e apoiar a cada pessoa que esteja nessa situação ou mesmo que tenha interesse em saber como seu temperamento contribui para esses casos. Mas, principalmente, como te ajudar a evitar cair nesse tipo de condição!

A impulsividade, o risco e a dívida

O temperamento Sanguíneo, que prioriza o prazer e a experiência, é um dos perfis mais vulneráveis a contribuir para o endividamento. O lema "viver o presente" o leva a gastos impulsivos e a usar o cartão de crédito como extensão do salário para manter o status ou a vida social. Para ele, a disciplina não é natural, e a dívida é um mal menor, contornável. Desta forma, a solução é transformar a disciplina em algo visual e divertido, evitando a rigidez que o controle financeiro gera.

Em uma linha diferente, o Colérico busca controle e resultados rápidos. Sua coragem e aversão à lentidão o levam a tomar riscos, não apenas em investimentos, mas também em dívidas que prometem um retorno rápido. Ele pode acumular dívidas por assumir projetos grandiosos ou por tentar "virar o jogo" em momentos de aperto. A chave para o Colérico é canalizar essa energia de liderança para o planejamento estratégico, respeitando a paciência necessária para a saúde financeira a longo prazo.

O Medo da Perda e a Inércia das Decisões

A estabilidade e a segurança são buscadas por todos, mas a inércia também pode gerar dívidas por omissão.

O perfil Melancólico é, por natureza, um planejador meticuloso, avesso a dívidas. Contudo, seu perfeccionismo e medo de cometer erros podem causar a paralisia pela análise. Em vez de agir, ele estuda infinitamente e não toma a decisão necessária — seja ela renegociar uma dívida ou investir seu dinheiro. Essa inação, embora cautelosa, resulta em perdas inflacionárias e a dificuldade em aproveitar oportunidades de crescimento que aliviariam a pressão financeira. Ou seja, o melancólico precisa se colocar em ação, mesmo que haja risco a ser assumido.

Já o temperamento Fleumático valoriza a paz e a estabilidade. Sua aversão a conflitos e a mudanças o leva à inércia financeira. Ele pode aceitar passivamente o status quo, evitando a difícil tarefa de revisar o orçamento, negociar taxas de juros ou buscar alternativas. Essa acomodação o torna vulnerável a se endividar lentamente por falta de monitoramento ou por evitar a conversa difícil de limitar gastos. Sua maior força, a persistência, deve ser automatizada em um plano de investimento e pagamento de dívidas simples e constante.

Conclusão

O alto endividamento no Brasil é um lembrete urgente de que o sucesso financeiro não reside apenas em taxas de juros, mas no comportamento.

Ao reconhecer seu temperamento e quais suas inclinações no aspecto financeiro, você deixa de lutar contra suas inclinações (o Sanguíneo contra o gasto, o Melancólico contra o risco) e passa a usar suas forças inatas para criar um sistema financeiro que o proteja da realidade do crédito fácil.

E por isso que a verdadeira riqueza é vivenciar a tranquilidade que advém de ter um sistema alinhado com quem você realmente é.