A Urgência de cuidar da Saúde Mental

Saúde mental em crise: ansiedade subiu 25% pós-pandemia (OMS). Excesso de trabalho, redes sociais e autocobrança agravam o problema. Cuidar da mente não é luxo – é sobrevivência. Comece hoje com pequenas pausas antes que o corpo adoeça

7/18/20253 min ler

Vivemos em uma era de excessos. Excessos de informações, de compromissos, de cobranças. Diariamente, somos bombardeados por notícias sobre crises políticas, instabilidades econômicas, tragédias e uma infinidade de demandas que, direta ou indiretamente, afetam nosso equilíbrio emocional. Em meio a esse turbilhão, manter a saúde mental deixou de ser um luxo para se tornar uma necessidade básica — tão vital quanto respirar ou se alimentar. No entanto, paradoxalmente, só nos damos conta disso quando o corpo começa a gritar por socorro: enxaquecas incapacitantes, dores musculares inexplicáveis, fadiga crônica, insônia e uma série de outros sintomas que são, na verdade, sinais de alerta de uma mente sobrecarregada.

O adoecimento da sociedade pós-pandemia

Estudos recentes apontam que, após a pandemia, os índices de ansiedade, depressão e esgotamento mental atingiram níveis alarmantes. As causas são multifatoriais: isolamento social, medo constante, incertezas sobre o futuro e a aceleração digital que dissolveu os limites entre trabalho e vida pessoal. De acordo com a World Health Organization (WHO) no estudo intitulado: "Mental Helath and the Pandemic de maio de 2023, a prevalência global de ansiedade e depressão permaneceu 25% maior do que antes da pandemia. Além disso, cerca de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais, tendo a pandemia sozinha elevado o índice em mais de 150 milhões de novos casos. 

Além disso, fatores psicossociais — como a pressão por produtividade, a comparação exacerbada nas redes sociais e a sensação de desamparo diante de crises globais — contribuem para esse cenário. Isso é corroborado por uma segunda pesquisa, da Harvard Business Review de fevereiro de 2024, com o título "O futuro do trabalho: Saúde Mental em Desenvolvimentos Híbridos". Pesquisa na qual aponta que 45% dos líderes sinalizam que a saúde mental piorou desde 2022.

O problema é que, embora existam formas de prevenir esse colapso emocional — terapia, exercícios físicos, hobbies, meditação —, muitas pessoas relegam esses cuidados a um segundo plano. A justificativa mais comum? Falta de tempo. Mas será que a questão é realmente a escassez de horas no dia ou uma falta de priorização consciente?

A ilusão da falta de tempo

Ao longo do nosso dia, corremos de uma tarefa para outra, acumulamos funções e, no final, sequer conseguimos lembrar o que de fato nos preencheu. A saúde mental, por não ser "visível" como uma fratura ou uma febre, acaba sendo negligenciada até que o corpo não aguente mais. No entanto, o que muitos não percebem é que pequenas pausas estratégicas poderiam poupar dias — ou até meses — de sofrimento.

Quantas vezes adiamos uma consulta ao psicólogo porque "o trabalho não pode esperar"? Quantas noites deixamos de dormir bem para resolver problemas que, no fim, não eram tão urgentes? Quantas vezes na semana paramos 5 minutos para uma oração ou reflexão? O preço dessa negligência pode ser alto: crises de pânico, burnout, doenças psicossomáticas e, em casos extremos, o agravamento de condições que poderiam ter sido tratadas a tempo.

Agindo preventivamente

É preciso desmistificar a ideia de que cuidar da mente é "perder tempo". Pelo contrário: é um investimento em produtividade, relacionamentos e qualidade de vida. Algumas ações simples podem fazer toda a diferença:

  1. Estabelecer limites: Aprender a dizer "não" e delimitar horários para trabalho e descanso.

  2. Incluir pausas ativas: Cinco minutos de reflexão profunda ou uma caminhada curta já reduzem o cortisol (hormônio do estresse).

  3. Priorizar o autocuidado: Seja através da terapia, da leitura ou de atividades que tragam prazer.

  4. Reduzir a autocobrança: Nem sempre precisamos ser 100% eficientes. Permitir-se falhar é humano.

Não há desculpas para adiar

Ignorar os riscos à saúde mental não é mais uma opção viável. As consequências do esgotamento emocional são reais e, muitas vezes, irreversíveis. Não podemos mais usar o desconhecimento como desculpa — a ciência já comprovou os impactos do estresse crônico no organismo. Também não cabe culpar apenas a "falta de tempo", pois tempo é uma questão de escolha.

Se continuarmos adiando os cuidados, o preço a ser pago pode ser muito maior do que aqueles cinco minutos diários de meditação ou uma hora semanal de terapia. A questão que fica é: o que você está esperando para agir? Amanhã pode ser tarde demais.

Pense nisso. E comece hoje.

*Fontes: 

https://www.who.int/publications/i/item/9789240049338

https://hbr.org/